Economia verde: por que o otimismo deve ser aliado ao ceticismo da razão

Estudos Avançados. 2012;26(74):121-136 DOI 10.1590/S0103-40142012000100009

 

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Journal Title: Estudos Avançados

ISSN: 0103-4014 (Print); 1806-9592 (Online)

Publisher: Universidade de São Paulo

LCC Subject Category: Social Sciences: Social sciences (General)

Country of publisher: Brazil

Language of fulltext: Portuguese, Spanish; Castilian

Full-text formats available: PDF, HTML, XML

 

AUTHORS

Andrei Cechin
Henrique Pacini

EDITORIAL INFORMATION

Double blind peer review

Editorial Board

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Time From Submission to Publication: 3 weeks

 

Abstract | Full Text

A iniciativa da economia verde carrega consigo o otimismo da vontade de que a economia pode e deve ser impulsionada por investimentos em atividades limpas em contraposição à extração de recursos naturais e à indústria poluente. No entanto, existem limites à ênfase que se coloca nos aumentos de eficiência e na substituição entre setores de uma economia. Para ser verde de fato, a redução no impacto ambiental por unidade do PIB deve ser maior do que o aumento do PIB num período. Mesmo que evidências recentes mostrem que alguns países já passaram do pico no uso de materiais e energia, globalmente a extração de recursos naturais e a emissão de CO2 só tem aumentado. Uma provável causa é porque países ricos têm terceirizado as atividades poluentes para países mais pobres. É hora de trazer o ceticismo da razão para o debate e discutir seriamente o decrescimento, não do PIB ou das oportunidades de desenvolvimento humano, mas da extração de recursos e da emissão de carbono globais.<br>The green economy initiative carries with it the optimistic view that the economy can and should be driven by investments in clean activities as opposed to the extraction of natural resources and polluting industries. However there are limits to the emphasis that is often put on efficiency improvements and on the substitution between sectors of an economy. For the economy to be green, the reduction in environmental impact per unit of GDP should be higher than GDP growth over a period. Even though recent evidence shows that some countries aparently passed the peak in the use of materials and energy, global extraction of natural resources and CO2 emissions has increased. A probable cause is that rich countries have outsourced polluting activities to poorer countries. It is time to bring the skepticism of reason to the debate and seriously discuss degrowth, not of GDP or of opportunities for human development, but of the global resource extration and carbon emissions.