Jornal de Assistência Farmacêutica e Farmacoeconomia (Jan 2023)

A Assistência Farmacêutica (AF) na planificação da atenção à saúde no Estado do Rio Grande do Sul (RS): Relato de experiência

  • Laura Minuzzi Kreutz ,
  • Giliane Dorneles Guer

DOI
https://doi.org/10.22563/2525-7323.2018.v3.s1.p.3
Journal volume & issue
Vol. 3, no. s.1

Abstract

Read online

Introdução: A planificação da Atenção à Saúde configura-se como instrumento de gestão e organização da Atenção Primária à Saúde (APS) e da atenção ambulatorial especializada (AE) nas Redes de Atenção à Saúde (RAS). Para a conformação das RAS, a APS deverá estar organizada de forma a exercer o seu papel resolutivo e coordenador do cuidado dos usuários no território. Para isso, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) em parceria com os Estados, propôs a Planificação, entendida como um processo de planejamento da atenção à saúde que considera todas as suas etapas. A AF como um dos elementos constituintes da RAS, é descrita como sistema de apoio na estrutura operacional, tornando-se estratégica a adequação dos serviços de AF, por meio dos serviços de abastecimento de medicamentos e os de Farmácia Clínica. Objetivos: Relatar a experiência da AF Estadual nas Oficinas de Planificação da Atenção à Saúde realizadas em municípios de Coordenadorias do Estado (CRSs) do RS. Método: Trata-se de um relato da experiência vivenciado por farmacêuticas da Coordenação Estadual da Política de Assistência Farmacêutica (CPAF) que participaram do Processo de Planificação da APS na 4ªCRS e 18ªCRS. A atuação da AF estadual consistiu na condução das Oficinas, elaboração de material didático, à partir da qualificação de material proposto pelo Conass, caso clínico aplicado à discussão e proposta de atividade de dispersão. Resultados: O processo de planificação se utilizou de oficinas que podem ser definidas como espaços para aprendizagem; um processo ativo de transformações recíprocas entre sujeito e objeto. O material desenvolvido apresentou os serviços técnico-gerenciais, centrados no medicamento, abordando o Ciclo da AF, e os serviços técnico-assistenciais, centrados no cuidado ao usuário, além de aspectos relacionados à Segurança do Paciente e a proposta de um caso clínico, com diversos problemas relacionados a medicamentos a serem resolvidos pelas equipes de saúde. Ao final da oficina, foi proposto uma atividade de dispersão que consistia na construção de um Fluxo de acesso para os medicamentos no município, documento que qualifica à orientação do usuário no cumprimento do seu itinerário terapêutico nas RAS. Conclusão: O processo de planificação contribui para aproximação dos trabalhadores da saúde com à AF e para problematização/reflexão do processo de trabalho. Esta experiência demonstrou que apesar da AF ser uma atividade multidisciplinar, a equipe de saúde sente-se pouco apropriada desta temática, sendo de fundamental importância que os profissionais estejam capacitados sobre fluxos de acesso aos medicamentos, para orientação e acompanhamento dos usuários. Os relatos dos profissionais denotam problemas de adesão ao tratamento na comunidade, com impacto em outras situações de saúde e falhas no ciclo logístico de medicamentos. Quanto à perspectiva futura, planeja-se expandir a planificação para as demais CRSs.