Jornal de Assistência Farmacêutica e Farmacoeconomia (Feb 2023)
Implantação dos módulos de Suprimentos e Farmácia do Aplicativo de Gestão para Hospitais Universitários (AGHU) no Setor de Farmácia Hospitalar (SFH) do HUPES. (Eixo Gestão)
Abstract
Introdução: O AGHU se originou nos anos 70 no Hospital das Clínicas de Porto Alegre. Em 2009 o Ministério da Educação iniciou um projeto para adotá-lo como Sistema de Informação Hospitalar (SIH) da Rede EBSERH. No SFH, responsável pelo gerenciamento dos medicamentos, um sistema informatizado é imprescindível para uma gestão eficiente além de auxiliar tomadas de decisões clínicas e contribuir com a segurança do paciente. O SIH precisa dispor de ferramentas que auxiliem no planejamento, aquisição, distribuição e controle de estoque de medicamentos, além de fornecer relatórios fiscais, gerenciais, dentre outros. No AGHU os módulos de gerenciamento do SFH são Suprimentos (M-Sup) e Farmácia (M-Far). No HUPES o SFH é composto por vários serviços, os quais demandam um SIH complexo para atender suas diversas demandas e integração com os outros setores hospitalares. Objetivo: Discorrer sobre a implantação dos módulos de Suprimentos e Farmácia do AGHU no Setor de Farmácia Hospitalar do HUPES. Método: Trata-se de um relato de caso, discutindo sobre o planejamento, a implantação e usabilidade do AGHU no SFH do HUPES. Resultados e Discussão: Em 2014 iniciou a implantação do AGHU no HUPES. Em 2019 iniciaram os M-Sup e M-Far, mas só foram concluídos em 2022. No SFH o M-Sup controla os medicamentos através de entradas de notas, ajustes, transferências, requisições e devoluções, além de emitir relatórios gerenciais e fiscais. Entretanto faltam recursos imprescindíveis na gestão da Farmácia Hospitalar como relatórios de estatística de consumo, ferramenta de inventário, viabilidade de devolução pela enfermaria, transformação de formas farmacêuticas e etcs. No M-Far, a partir das prescrições, é realizada a triagem e dispensação dos medicamentos, sendo este integrado com o M-Sup para controle de estoque. A principal dificuldade no processo de implantação foi a falta de informações sobre a funcionalidade do sistema. Os manuais descreviam comandos básicos sem explicar a função dos recursos. O conhecimento do AGHU foi construído na base de tentativa e erro, gerando muito trabalho desnecessário. Os roteiros de treinamento foram criados internamente, assim como os manuais que estão em via de publicação. Após a implantação ocorreram erros como duplicidade de saldo após transferências, duplicidade de almoxarifado, erro em alguns preços médio, dentre outros, que levou a necessidade de reimplantação, o que impactou não só o SFH como as prescrições, já que os medicamentos são cadastrados no M-Sup. Na implantação de um SIH é previsível a existência de dificuldades na adaptação. Entretanto, algumas deficiências do AGHU impactam diretamente na gestão do SFH. Melhorias já foram solicitadas, tendo sido poucas atendidas. Conclusão: Na seleção e implantação de um SIH é imprescindível um planejamento prévio que englobe o domínio amplo do sistema, da complexidade e demandas das instituições incluindo a colaboração de profissionais que trabalham na ponta dos serviços, para evitar que o processo seja estressante e problemático.