UNINGÁ Review (Sep 2019)
LACERAÇÃO PARCIAL DE TENDÃO FLEXOR DIGITAL PROFUNDO COM DESENVOLVIMENTO DE HARPEJAMENTO EM EQUINO: RELATO DE CASO
Abstract
Foi atendido no Núcleo de Grandes Animais do Centro Universitário Ingá um equino, macho, de 10 anos de idade, pesando 420 kg, da raça Mangalarga Paulista, apresentando uma ferida lacerada em membro pélvico esquerdo. Ao exame todos os parâmetros vitais estavam normais e durante o exame específico do sistema locomotor notou-se uma claudicação de grau IV segundo Adams (2011), com elevação de pinça observada durante manobras e uma ferida lacerada, com cerca de seis centímetros e saída de exsudato serosanguinolento. O animal foi sedado com detomidina (0,01 mg/kg, endovenosa) e submetido a uma avaliação através de palpação e ultrassonografia do local da lesão, constatando-se a laceração parcial do tendão flexor digital profundo. Foi realizada a tricotomia, limpeza com água corrente e clorexidine degermante a 2%, e em seguida, aplicada uma bandagem de Robert Jones. Foi instituída profilaxia antitetânica com soro antitetânico (5.000 UI, intramuscular), antibioticoterapia (Penicilina Benzatina, 20.000 UI/Kg, intramuscular) uma vez ao dia durante 3 dias, e Flunixina Meglumina (1,1 mg/kg, endovenosa) a cada 24 horas por 5 dias. Foram realizados curativos diários, por meio de limpeza e desinfecção da ferida com água corrente e clorexidine degermante até sua completa cicatrização. Durante o período de tratamento, quando houve o crescimento de tecido de granulação exuberante, o mesmo foi resseccionado com o auxílio de um bisturi. Para auxiliar na locomoção e minimizar a elevação de pinça, foi realizada a colocação de uma ferradura no casco do membro pélvico esquerdo com prolongamento e elevação de talão por 60 dias. Durante o período de recuperação, o animal apresentou o desenvolvimento de uma hiperflexão do membro lesionado, denominado harpejamento. Neste caso, optou-se pelo tratamento medicamentoso a base de Tiamina na dose de 0,06 mg/kg por via intramuscular durante 10 dias consecutivos. O animal recebeu alta com melhora de 70% do quadro, e após 30 dias o proprietário relatou que o mesmo não apresentava claudicação evidente, não elevou mais a pinça e houve correção completa do harpejamento, sem apresentar qualquer tipo de sequelas.