Canalizar o fluxo: lidando com a morte numa religião de matriz africana

Mana. 24(3):9-32 DOI 10.1590/1678-49442018v24n3p009

 

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Journal Title: Mana

ISSN: 0104-9313 (Print); 1678-4944 (Online)

Publisher: Universidade Federal do Rio de Janeiro

LCC Subject Category: Geography. Anthropology. Recreation: Anthropology: Ethnology. Social and cultural anthropology

Country of publisher: Brazil

Language of fulltext: Portuguese, English

Full-text formats available: PDF, HTML

 

AUTHORS

Gabriel Banaggia

EDITORIAL INFORMATION

Double blind peer review

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Time From Submission to Publication: 32 weeks

 

Abstract | Full Text

Resumo Este artigo trata das diferentes formas por meio das quais fiéis do jarê, uma religião de matriz africana que só existe na Chapada Diamantina - uma região de colinas íngremes no interior do estado da Bahia, no nordeste do Brasil -, conceitualizam a morte. O tema se conecta de modos complexos com a história e a geografia da área, que por mais de um século gravitou inteiramente em torno das atividades de garimpo de diamantes. O jarê desenvolve um tipo de “metafísica telúrica” segundo a qual o chão, a terra e o ato de caminhar são entretecidos em situações de vida e morte ritualmente elaboradas durante as cerimônias. O jarê exemplifica como a força vital de cada pessoa é concebida como um fluxo instável e direcionável, cuja labilidade é processada de acordo com diferenças de concentração energética efetuadas por ações rituais que podem ter resultados até fatais.