Cadernos de Saúde Pública (Apr 1999)
Working conditions of Chagas' disease patients in a large Brazilian city Situação trabalhista do portador de doença de Chagas crônica, em um grande centro urbano
Abstract
This study evaluated the working conditions of Chagas' disease patients in the city of Campinas, São Paulo, focusing on two-hundred-fifty patients with steady employment and treated at the University Hospital (HC-FCM/Unicamp): 98% were working-age and 77.6% were men. The origin of the patients reflected the migratory process occurring among this population. Most of the patients had limited professional skills, while 63.6% had not finished primary school and 21.6% were illiterate. However, 63.6% were regularly employed under duly processed work contracts. Their jobs were mainly in general services (21.6%) and heavy industry (21.2%). Some 55% of the patients reported a monthly income less than or equal to U$100.00, and 40.4% reported having been fired at least once during the last ten years, in 8.9% of the cases because of a diagnosis of Chagas' disease. Of the patients undergoing pre-hiring physical examinations (57.2%), 9.1% were refused, 92.3% of whom due to positive serology for T. cruzi. Finally, 78.4% reported not belonging to a labor union. The study demonstrated the precarious working conditions and discrimination experienced by workers with Chagas' disease.Este estudo avaliou a situação trabalhista dos chagásicos em Campinas (SP) e região. Entrevistaram-se 250 pacientes com vínculo trabalhista, acompanhados no HC-FCM/Unicamp: 98% integravam a faixa da população economicamente ativa e 76% eram homens. Sua origem confirmou o processo migratório vivido pelos mesmos. A maioria tinha pouca qualificação profissional, com 69,2% dos indivíduos com primeiro grau incompleto e 21,6% analfabetos. Porém, 63,6% estavam empregados com vínculo empregatício regulamentado, concentrando-se principalmente na prestação de serviços (21,6%) e indústria de transformação (21,2%). Dos entrevistados, 55,2% referiram receber até dois salários mínimos, e 40,4% afirmaram ter sido demitidos ao menos uma vez em dez anos, demissão associada ao diagnóstico da doença por 8,9% desses. Também dos 57,2% submetidos a exames admissionais, 9,1% foram recusados, 92,3% dos quais pela soropositividade. Quanto à participação em sindicatos, 78,4% negaram. Evidenciou-se a situação precária e a discriminação contra o trabalhador chagásico.
Keywords