Revista Cocar (Dec 2019)

Contar o tempo ou fazer com que o tempo conte? A perspectiva dos pais portugueses sobre tempo de tela

  • Teresa Sofia Castro,
  • Cristina Ponte

Journal volume & issue
no. 7
pp. 168 – 182

Abstract

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Counting the time or making the time count? The perspective of Portuguese parents on screen time Resumo Tendo em conta a forte presença das telas - convergentes e ubíquas - na vida das famílias portuguesas com crianças, o artigo pretende refletir o problemático conceito ‘tempo de tela’ face às recentes recomendações da Associação Americana de Pediatria. Sendo o ‘tempo de tela’ uma preocupação frequentemente manifestada pelos pais, enquadramos o tema à luz de pesquisa recente e partimos das suas falas para uma análise temática, com base em entrevistas realizadas com 39 famílias. Os resultados, aqui sintetizados e analisados, revelam que o conceito ‘tempo de tela’ deve ter em conta os contextos familiares, a idade das crianças e as percepções dos pais. Este artigo pretende contribuir para a reflexão em torno desta problemática, sugerindo aos pais e educadores menor preocupação em contabilizar ao minuto o tempo de tela, mas que avaliem a qualidade desse tempo (conteúdos, tempo e interações) e que, sem alarmismo, se mantenham alertas a sinais de perigo que possam indiciar na criança desequilíbrios ao nível do sono, saúde física e emocional, vida social e escolar, ajustando as suas intervenções em conformidade. Palavras-chave: Mediação parental, tempo de tela, crianças. Abstract Given the strong presence of convergent and ubiquitous screens in the life of Portuguese families with children, this chapter intends to reflect the problematic concept of 'screen time' in light of the recent recommendations of the American Association of Pediatrics. As this is a concern frequently expressed by parents themselves, we framed the topic in line with recent research and analysed parents’ talks using a thematic approach to interviews held with 39 families. The results summarized and analysed here reveal that the concept of ‘screen time’ should take into account the family context, the age of the children and the perceptions of the parents. This chapter aims to contribute to the reflection around this problematic, suggesting that parents and educators should worry less about screentime, thus concerning more about evaluating the quality of that time (content, time and interactions); without alarmism, they should keep alert to signs of danger that may indicate imbalances in child's sleep, physical and emotional health, social and school life, and adjust their interventions accordingly. Keywords: Parental mediation, screen time, children.