Modernidade e diversidade: reflexões sobre a controvérsia entre teoria da modernização e a teoria das múltiplas modernidades

Sociedade e Estado. 2011;26(2):155-183 DOI 10.1590/S0102-69922011000200009

 

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Journal Title: Sociedade e Estado

ISSN: 0102-6992 (Print); 1980-5462 (Online)

Publisher: Universidade de Brasília

LCC Subject Category: Social Sciences: Social sciences (General)

Country of publisher: Brazil

Language of fulltext: Portuguese, Spanish; Castilian, English

Full-text formats available: PDF, HTML, XML

 

AUTHORS

Volker H Schmidt

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Time From Submission to Publication: 13 weeks

 

Abstract | Full Text

O artigo revisita a reivindicação de convergência da teoria da modernização, fortemente criticada pelos teóricos das modernidades múltiplas, que sustentam que realidades emergentes não confirmam suas premissas subjacentes. Baseado em uma leitura completa dos textos clássicos, o artigo reconstrói o significado do termo, dentro de um quadro de referência da teoria da modernização e, então, considera a evidência que os teóricos das modernidades múltiplas apresentam contra o mesmo. O artigo sustenta que nenhuma das observações citadas pelos teóricos mais proeminentes das modernidades múltiplas são capazes de desafiar a teoria da modernização, que pode acomodar facilmente os tipos de diferença evocados por seus críticos. A modernidade do Leste Asiático, em particular, à qual os dois lados atribuem um peso especial para qualquer teste da teoria da modernização, parece notavelmente semelhante à modernidade ocidental quando observada através das lentes dessa teoria. Ao mesmo tempo, a literatura sobre as modernidades múltiplas, apesar de alegar que leva a diferença muito a sério, silencia acerca das diferenças que amplas partes do mundo menos desenvolvido exibem frente ao Ocidente e ao Leste Asiático, em aspectos socioestruturais e culturais, que indicam diferentes graus de modernização. O artigo conclui com uma nota breve sobre o peso diferenciado dos vários tipos de diversidade para os diferentes problemas de referência e com uma sugestão para uma resolução construtiva do conflito entre as duas abordagens.<br>The article revisits modernization theory's convergence claim, which has been strongly criticized by multiple modernists, who maintain that emerging realities have not borne out its underlying premises. Based on a thorough reading of classical texts, the article reconstructs the term's meaning within a modernization-theoretical frame of reference and then considers the evidence that multiple modernists hold against it. It finds that none of the observations cited by leading multiple modernists are able to challenge modernization theory, which can easily accommodate the kinds of difference invoked by its critics. East-Asian modernity in particular, to which both sides assign special weight for any test of modernization theory, appears remarkably similar to Western modernity when viewed through the lenses of this theory. At the same time, the literature on multiple modernities, despite pleading to take difference seriously, is silent about differences that large parts of the less-developed world exhibit vis-a-vis the West and East Asia in social-structural and cultural respects, indicating different degrees of modernization. The article concludes with a brief note on the differential weight of different kinds of diversity for different reference problems and a suggestion for a constructive resolution of the conflict between the two approaches.