Interface: Comunicação, Saúde, Educação (Jan 2019)

Cultura do estupro e violência ostentação: uma análise a partir da artefactualidade do funk

  • Aline Veras Morais Brilhante,
  • Renata Rocha Barreto Giaxa,
  • July Grassiely de Oliveira Branco,
  • Luiza Jane Eyre de Souza Vieira

DOI
https://doi.org/10.1590/interface.170621
Journal volume & issue
Vol. 23, no. 0

Abstract

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Analisaram-se, à luz do construcionismo social, músicas de funk com ampla repercussão midiática e compartilhamento em serviços de streaming, cujos discursos remetem à violência sexual – Baile de Favela e Malandramente. A apreciação ocorreu por meio da análise dialógica, sendo, após, construído o mapa dialógico. Os resultados mostram a construção da vítima perfeita, que naturaliza a violência sexual por meio da culpabilização da vítima, a erotização da infância na construção de vítimas e agressores, cuja puerilidade é ironizada naturalizando a violência sexual e a exaltação do estupro coletivo, explorando possibilidades de relações sexuais permeadas pela violência de gênero. Os achados descortinaram um panorama preocupante. À parte do importante papel do funk como prática cultural emancipatória, os sentidos da violência sexual nos discursos expuseram a construção de relações conflituosas entre os gêneros como norma social.

Keywords