Tempo Social (Nov 2006)

Refugiados diante da nova ordem mundial Refugees face the new humanitarian order

  • Michel Agier

DOI
https://doi.org/10.1590/S0103-20702006000200010
Journal volume & issue
Vol. 18, no. 2
pp. 197 – 215

Abstract

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Em um contexto em que as guerras se transformaram, envolvendo cada vez mais civis e meios urbanos, e no quadro de uma nova tensão nas relações norte-sul (em particular entre a Europa e a África) a respeito das migrações internacionais, a intervenção humanitária muda de sentido e de função. Cada vez mais ela se orienta para o controle e o confinamento dos desenraizados, dos refugiados, dos que reivindicam asilo e de todos os que, em um momento ou outro de sua trajetória, são qualificados de clandestinos. Em sua intervenção, os funcionários da ajuda humanitária lidam com a "vida destituída" dos dependentes de auxílio, tratados como vítimas absolutas e despojados de qualquer inserção social. Entretanto, na clandestinidade ou nos próprios campos, os refugiados tomam a palavra e desenvolvem iniciativas e respostas a seu confinamento, elegendo muitas vezes como alvo as organizações humanitárias governamentais ou da ONU. A linguagem humanitária é, assim, reutilizada ou redirecionada.The meaning and function of humanitarian interventions have changed as an outcome of a new scenario: war in urban spaces with increased involvement of civilians and new tensions between north and south (in particular Europe and Africa) about international migration. More and more humanitarian action tries to control and to confine displaced people, refugees, asylum claimers and all that people designated as clandestine. These people are regarded as victim and devoid of any social ties. However, as clandestine or as inhabitants of champs, the refugees work out responses and initiatives to the confinement. The target is often humanitarian organizations supported by ONU or governments. The humanitarian language is in this way recycled and politicized by its subjects.

Keywords