Santo Estado, maldito mercado: de certas esquerdas que são direitas Holy State, damned market: about certain left wings that are right wings

Sociedade e Estado. 2005;20(2):451-476 DOI 10.1590/S0102-69922005000200009

 

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Journal Title: Sociedade e Estado

ISSN: 0102-6992 (Print); 1980-5462 (Online)

Publisher: Universidade de Brasília

LCC Subject Category: Social Sciences: Social sciences (General)

Country of publisher: Brazil

Language of fulltext: English, Spanish; Castilian, Portuguese

Full-text formats available: PDF, HTML, XML

 

AUTHORS

Pedro Demo

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Abstract | Full Text

É comum na discussão sobre política social e desenvolvimento preservar o Estado e sacrificar o mercado. Historicamente falando, a apreciação positiva do papel do Estado vincula-se ao welfare state, que, mesmo tendo sido fenômeno relativamente curto e restrito - durou por volta de 30 anos e restringiu-se a uma dúzia de países eurocêntricos -, foi marcante em termos de ganhos sociais frente às forças liberais de mercado. Quase sempre, encobre-se aí que o welfare state não redimiu o Estado capitalista, apenas ocasionou uma versão socialmente mais interessante. Do ponto de vista da questão social, as críticas ao mercado (neo)liberal, em geral, são adequadas, mas facilmente encobrem que mercado é instituição histórico-estrutural, tanto quanto o Estado. Assim como há que se distinguir entre Estado como tal e Estado capitalista, há que se distinguir entre mercado como tal e mercado capitalista. Mercado e Estado cumprem papéis essenciais para a política social e o desenvolvimento, em qualquer sociedade e sistema, estando em xeque sua configuração capitalista. Não são nem santos, nem malditos, porque sua qualificação histórica concreta depende da respectiva sociedade. Hoje vemos a tendência do pensamento único de apresentar o mercado capitalista liberal como solução única, como se fora dele não houvesse salvação. É apenas o outro lado da medalha do Estado santificado.<br>It's common in the discussion about social policy and development to preserve the State and to immolate the market. Historically speaking, positive appreciation of State's role is bound with welfare state which, although it hat been a relatively short and restrict phenomenon - it lasted about 30 years and was restricted to a dozen of Eurocentric countries -, was remarkable in terms of social gains facing market's liberal forces. Almost always the discussion hides that Welfare State didn't redeem the capitalist State, since it just occasioned one more interesting social version. From the viewpoint of the social question, critics to (neo)liberal market are, in general, adequate, but they easily hide that market is a historic-structural institution, as the State as well. Just as we have to distinguish between State as such and capitalist State, we also have to distinguish between market as such and capitalist market. Market and State fulfill essential roles in social policy e development, in each society and system, being in check its capitalist configuration. They are not saint, nor damned, because their historic concrete qualification depends from the respective society. Today we see the unique thought's tendency of presenting liberal capitalist market as one and only solution, as if outside there will be no salvation. It's simple the other side of the coin of the saint State.