Jornal de Assistência Farmacêutica e Farmacoeconomia (Mar 2025)
PE-009 Práticas na investigação de coagulopatias em acidentes ofídicos no Sistema Único de Saúde (SUS)
Abstract
Introdução: No Brasil, os acidentes ofídicos de importância clínica são classifcados em quatro tipos: botrópicos, crotálicos, laquéticos e elapídicos, representados por jararaca, cascavel, surucucu-pico-de-jaca e coral-verdadeira, respectivamente. Com exceção dos quadros clínicos causados por serpentes da família Elapidae, os acidentes ofídicos podem resultar em distúrbios de coagulação que, por sua vez, devem ser investigados oportunamente para evitar desfechos clínicos desfavoráveis. Objetivos: O objetivo deste estudo é verifcar se as práticas para investigação de coagulopatias decorrentes de acidentes ofídicos no Sistema Único de Saúde (SUS) estão de acordo com as orientações do Ministério da Saúde (MS) e a opinião de especialistas clínicos. Material e Método: Trata-se de um estudo qualitativo que compara a utilização dos métodos diagnósticos laboratoriais para investigação de distúrbios de coagulação em acidentes ofídicos no SUS com as recomendações do MS e dos especialistas clínicos. As recomendações vigentes do MS foram extraídas do “Manual de diagnóstico e tratamento de acidentes por animais peçonhentos”, publicado em 2001. Adicionalmente, um painel de especialistas clínicos que participaram da construção de uma diretriz clínico-assistencial foi consultado para emitir sua opinião sobre os exames considerados adequados para essa investigação na prática clínica. Para a avaliação das práticas clínico-assistenciais no SUS, foram coletados dados do Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA-SUS), no período de 2008 a 2022, sobre procedimentos diagnósticos mais frequentes em casos de contato com serpentes e lagartos venenosos (CID X20) e de efeito tóxico de veneno de serpentes (CID T63.0). Resultados: No serviço ambulatorial, 3.326 exames laboratoriais clínicos estavam registrados no SIA-SUS no período, sendo 330 (9,9%) hemogramas completos, 324 (9,7%) determinações de tempo e atividade da protrombina (TAP), 291 (8,7%) determinações de tempo de tromboplastina parcial ativada (TTP ativada), 80 (2,4%) determinações de tempo de coagulação (TC) e 65 (1,9%) contagens de plaquetas. No Manual do MS, recomenda-se apenas TC e hemograma. Especialistas sugerem que a avaliação dos distúrbios de coagulação deve incluir TC, TAP, TTP ativada e dosagem de fbrinogênio. Conclusão: As práticas de investigação de distúrbios de coagulação em acidentes ofídicos no SUS divergem das recomendações atuais do MS, mas estão alinhadas com as opiniões de especialistas clínicos, evidenciando a necessidade de revisar as recomendações do MS referentes ao tema. Embora a avaliação desses marcadores seja recomendada pelo painel de especialistas e possa ser recomendada futuramente pelo MS após mapeamento das evidências disponíveis, sua realização deve ocorrer conforme disponibilidade. Dessa forma, o tratamento não deverá ser condicionado à avaliação de todos esses marcadores.
Keywords