Muros do Mediterrâneo: Notas sobre a construção de barreiras nas fronteiras de Ceuta e Melilla

Cadernos de Estudos Africanos. 2012;(22):153-175 DOI 10.4000/cea.465

 

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Journal Title: Cadernos de Estudos Africanos

ISSN: 1645-3794 (Print)

Publisher: Instituto Universitário de Lisboa

LCC Subject Category: History (General) and history of Europe: History of Africa | Social Sciences

Country of publisher: Portugal

Language of fulltext: Portuguese, French, English

Full-text formats available: PDF, HTML, XML

 

AUTHORS

Patrick Figueiredo

EDITORIAL INFORMATION

Double blind peer review

Editorial Board

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Time From Submission to Publication: 48 weeks

 

Abstract | Full Text

Muitos casos materiais que configuram as fronteiras entre a União Europeia e a África merecem ser analisados. Apresentarei algumas considerações teóricas sobre as cercas que estão sendo construídas nos limites territoriais dos enclaves de Ceuta e Melilla, separando o continente europeu do território marroquino, e consequentemente, africano. Barreiras que delimitam a separação entre Estados-nação têm vindo a multiplicar-se em todos os continentes. Apesar da crescente liberalização do comércio e do incremento de discursos políticos que incentivam a liberdade de circulação, os países desenvolvidos também participam neste movimento de proliferação de barreiras que filtram o movimento de actores sociais. Encaixo a construção de barreiras nestes enclaves na constelação de aparelhos de segurança que caracterizam a nossa modernidade tardia1.<br>There are many material cases that shape the frontiers between E.U. and Africa that deserve attention. I will consider some theoretical approaches to the fences that are being built in the territorial boundaries between Ceuta and Melilla’s enclaves, distancing the European continent from the Moroccan territory, and thus, from Africa. This tendency to separate nation-states with walls can be observed in every continent. Despite commercial liberalization and an increasing flow of political speeches that appeal to the freedom of circulation, developed countries are also engaged in this movement of barrier proliferation that checks and controls the circulation of social agents. To better understand the concepts underlying these fences, I seek to insert them in the constellation of security apparatus that shape our late modernity.