Revista Brasileira de Terapia Intensiva (Jan 2023)

O que mudou entre os períodos de pico e de platô durante a primeira onda do SARS-CoV-2? Estudo multicêntrico português em unidades de cuidados intensivos

  • Rui Antunes Pereira,
  • Marta Sousa,
  • José Pedro Cidade,
  • Luís Melo,
  • Diogo Lopes,
  • Sara Ventura,
  • Irene Aragão,
  • Raul Miguel de Freitas Lima Neto,
  • Elena Molinos,
  • Ana Marques,
  • Nelson Cardoso,
  • Flávio Marino,
  • Filipa Brás Monteiro,
  • Ana Pinho Oliveira,
  • Rogério C Silva,
  • André Miguel Neto Real,
  • Bruno Sarmento Banheiro,
  • Renato Reis,
  • Maria Adão-Serrano,
  • Ana Cracium,
  • Ana Valadas,
  • João Miguel Ribeiro,
  • Pedro Póvoa,
  • Camila Tapadinhas,
  • Vítor Mendes,
  • Luís Coelho,
  • Raquel Maia,
  • Paulo Telles Freitas,
  • Isabel Amorim Ferreira,
  • Tiago Ramires,
  • Luís Silva Val-Flores,
  • Mariana Cascão,
  • Rita Alves,
  • Simão C Rodeia,
  • Cleide Barrigoto,
  • Rosa Cardiga,
  • Maria João Ferreira da Silva,
  • Bruno Vale,
  • Tatiana Fonseca,
  • Ana Lúcia Rios,
  • João Camões,
  • Danay Pérez,
  • Susana Cabral,
  • Maria Inês Ribeiro,
  • João João Mendes,
  • João Gouveia,
  • Susana Mendes Fernandes

DOI
https://doi.org/10.5935/0103-507x.20210037-pt
Journal volume & issue
Vol. 34, no. 4
pp. 433 – 442

Abstract

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RESUMO Objetivo: Analisar e comparar as características de pacientes críticos com a COVID-19, a abordagem clínica e os resultados entre os períodos de pico e de platô na primeira onda pandêmica em Portugal. Métodos: Este foi um estudo de coorte multicêntrico ambispectivo, que incluiu pacientes consecutivos com a forma grave da COVID-19 entre março e agosto de 2020 de 16 unidades de terapia intensiva portuguesas. Definiram-se as semanas 10 - 16 e 17 - 34 como os períodos de pico e platô. Resultados: Incluíram-se 541 pacientes adultos com mediana de idade de 65 [57 - 74] anos, a maioria do sexo masculino (71,2%). Não houve diferenças significativas na mediana de idade (p = 0,3), no Simplified Acute Physiology Score II (40 versus 39; p = 0,8), na pressão parcial de oxigênio/fração inspirada de oxigênio (139 versus 136; p = 0,6), na terapia com antibióticos na admissão (57% versus 64%; p = 0,2) ou na mortalidade aos 28 dias (24,4% versus 22,8%; p = 0,7) entre o período de pico e platô. Durante o período de pico, os pacientes tiveram menos comorbidades (1 [0 - 3] versus 2 [0 - 5]; p = 0,002); fizeram mais uso de vasopressores (47% versus 36%; p < 0,001) e ventilação mecânica invasiva na admissão (58,1% versus 49,2%; p < 0,001), e tiveram mais prescrição de hidroxicloroquina (59% versus 10%; p < 0,001), lopinavir/ritonavir (41% versus 10%; p < 0,001) e posição prona (45% versus 36%; p = 0,04). Entretanto, durante o platô, observou-se maior uso de cânulas nasais de alto fluxo (5% versus 16%; p < 0,001) na admissão, remdesivir (0,3% versus 15%; p < 0,001) e corticosteroides (29% versus 52%; p < 0,001), além de menor tempo de internação na unidade de terapia intensiva (12 versus 8 dias; p < 0,001). Conclusão: Houve mudanças significativas nas comorbidades dos pacientes, nos tratamentos da unidade de terapia intensiva e no tempo de internação entre os períodos de pico e platô na primeira onda da COVID-19.

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