A Cultura Alimentar e os Reflexos de um Aprisionamento da Condição Social

Revista Latino Americana de Estudos em Cultura e Sociedade. 2019;5(5) DOI 10.23899/relacult.v5i5.1483

 

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Journal Title: Revista Latino Americana de Estudos em Cultura e Sociedade

ISSN: 2525-7870 (Online)

Publisher: Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura

Society/Institution: Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura

LCC Subject Category: General Works: History of scholarship and learning. The humanities | Social Sciences

Country of publisher: Brazil

Language of fulltext: Portuguese, Spanish

Full-text formats available: PDF

 

AUTHORS


Ana Carolina Einsfeld Mattos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos| UNISINOS)

Victória Santos de Azevedo (Universidade do Vale do Rio dos Sinos| UNISINOS)

EDITORIAL INFORMATION

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Editorial Board

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Time From Submission to Publication: 12 weeks

 

Abstract | Full Text

Primeiramente: Comer é um ato político! Mas somente para quem pode escolher o que comer! Segundo, a alimentação é um direito humano. Comer é uma atividade humana central, porque cedo se torna a esfera onde se permite alguma escolha. O pensamento antropológico da alimentação diz que o comportamento relativo à comida revela repetidamente a cultura. Comer! Comer é natural, é cotidiano. O que, como e quando comemos caracteriza respostas culturais a contextos sociais, políticos, econômicos, étnicos, ambientais e morais. A globalização respinga uma nova forma de constituir alimentação. Os fast- foods acompanhado do marketing das grandes empresas transnacionais tem contribuído para essa mudança nas estruturas alimentares. O fio condutor entre alimentação e cultura parece limitar-se ao nível biológico, que coloca o alimento com foco nos nutrientes, porém um enfoque nas ciências sociais amplia o olhar para a relação do alimento enquanto componente de vida e do viver em sociedade. Assim, os hábitos e práticas alimentares produzidos historicamente se transformam em hábitos culturais que integram o viver coletivo. Considera-se também que existem hábitos e práticas alimentares advindas de um sistema capitalista e que por tanto não constituem um caráter homogêneo. Há diferentes modos de estabelecer a alimentação e a comida, a estratificação da mesa e do gosto produz efeitos sobre a condição social da pessoa que reduz a possibilidade de escolha alimentar em uma espécie de aprisionamento da condição social. A preferência alimentar transmite mais que a utilização do alimento, um estabelecimento de uma preparação culinária, temperada, saboreada, estabelece identidade social. Alimenta-se e alimentar ao próximo é uma das maiores riquezas quando pensamos em constituição de relações sociais. O guia Alimentar para a população Brasileira constitui uma das estratégias para promoção da alimentação adequada, visa o resgate da cultura alimentar e faz parte da Política Nacional de Alimentação e Nutrição.