Revista Portuguesa de Cardiologia (Mar 2023)

Spontaneous coronary artery dissection: Ten years’ experience of a tertiary center

  • Tânia Proença,
  • Miguel Martins Carvalho,
  • Ricardo Alves Pinto,
  • Paula Dias,
  • Filipe Macedo

Journal volume & issue
Vol. 42, no. 3
pp. 261 – 266

Abstract

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Introduction: Spontaneous coronary artery dissection (SCAD) represents 1–4% of all acute coronary syndromes (ACS), and is a particularly important cause among young women and individuals with few cardiovascular risk factors. Objectives: To characterize clinical background, therapeutic management and clinical outcomes in a SCAD population. Methods: We retrospectively analyzed all consecutive patients diagnosed with SCAD at a tertiary center between August 2009 and May 2020, with a median follow-up of 40 months (IQR 14–95 months). SCAD was classified according to the Saw angiographic SCAD classification. Results: A total of 36 patients were included, 94% female, mean age 51 years (±11 years). A trigger was only detected in 8% and associated conditions in 31% of patients, mainly inflammatory or autoimmune systemic diseases and migraine. Most patients had non-ST-elevation ACS and 33% presented with ST-elevation ACS. The most frequent culprit lesion was the left anterior descending (LAD) artery (67%); mid to distal segments were the most affected (94%) and type 2 dissection the most prevalent (60%). Almost all patients were successfully medically managed, with only four undergoing percutaneous intervention. During follow-up, ischemic events recurred in 15% of patients and no patient died. Patients with type 2 dissection exhibited lower risk of recurrence compared to type 1 (p=0.049, OR=0.13). Conclusion: SCAD patients were mainly young or middle-aged women; the LAD artery was the most affected vessel and type 2 dissection the most prevalent. This report showed for the first time a correlation between type 2 SCAD and lower risk of recurrence. Resumo: Introdução: A disseção coronária espontânea (DCE) representa 1 a 4% de todas as síndromes coronárias agudas (SCA), sendo uma causa particularmente importante em jovens mulheres e indivíduos com poucos fatores de risco cardiovasculares. Objetivos: Caracterização de uma população diagnosticada com DCE, abordagem terapêutica e evolução clínica a longo prazo. Métodos: Análise retrospetiva de todos os doentes consecutivamente diagnosticados com DCE num centro terciário, entre agosto de 2009 e maio de 2020, com um seguimento médio de 40 meses (IQR 14-95 meses). A DCE foi classificada de acordo com a classificação angiográfica de Saw. Resultados: Foram incluídos 36 doentes, 94% mulheres com média de 51 anos (±11-anos). Apenas 8% apresentavam um trigger e 31% apresentavam uma condição associada, especialmente doença inflamatória ou autoimune sistémica ou história de enxaqueca. A maioria teve um SCA sem supradesnivelamento-do-segmento-ST e 33% uma SCA com supradesnivelamento-de-ST. A artéria responsável mais comum foi a descendente anterior (67%); os segmentos médios e distais foram os mais afetados (94%) e a disseção tipo 2 foi a mais prevalente (60%). A maioria foi tratada medicamente com sucesso, sendo que apenas quatro doentes foram submetidos a angioplastia. Durante o seguimento, houve recorrência de eventos em 15% dos doentes e nenhum faleceu. A disseção tipo 2 correlacionou-se significativamente com menor risco de recorrência face à disseção tipo 1 (p=0,049, OR=O,13). Conclusão: A maioria dos doentes era mulher jovem ou de meia-idade; a artéria descendente anterior foi a mais afetada e a disseção tipo 2 a mais prevalente. Este trabalho mostrou pela primeira vez uma correlação entre a DCE tipo 2 e menor risco de recorrência de eventos.

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