Jornal de Assistência Farmacêutica e Farmacoeconomia (Jan 2023)

Fatores associados ao uso de anti-inflamatórios não-esteróides em pacientes de uma drogaria

  • Bruno Andrade Amaral,
  • Maksônia Silva Nascimento Pinheiro,
  • Jéssica Caline Lemos Macedo

DOI
https://doi.org/10.22563/2525-7323.2016.v1.s1.p.31
Journal volume & issue
Vol. 1, no. s. 1

Abstract

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Introdução: Os Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINEs) apresentam muitas vantagens terapêuticas, no entanto, ganham notoriedade quanto às reações adversas que podem causar. A relevância do impacto dos AINEs sobre a saúde humana revela a importância de estudos sobre esse alto consumo. Esse trabalho tem como objetivo identificar quais os fatores associados ao consumo de AINEs em uma drogaria, assim como o perfil sócio-demográfico dos pacientes a fim de fornecer informações sobre o problema, no intuito de contribuir para a elaboração de medidas que busquem amenizá-lo. Material e Método: O estudo foi realizado em uma drogaria do município de Poções, região sudoeste do estado da Bahia, por meio da aplicação de um formulário aos pacientes que compraram AINEs. Foram entrevistados 104 indivíduos durante o mês de agosto de 2015. Esse estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade Independente do Nordeste, sob autorização n° CAAE: 45482615.0.0000.5578.Resultados: Dos participantes entrevistados, 57,69% eram do sexo feminino; 38,46% possuíam faixa etária superior a 60 anos; e 37,5% tinham nível de escolaridade até o ensino fundamental. Das mulheres entrevistadas, 83,33% consumiram AINEs sem terem prescrição e, dos homens, foram 79,55%. Como justificativas para a automedicação, 44,44% relataram falta de tempo de ir ao médico e 35,8% não julgaram ser necessária a orientação médica. 82,14% declararam não ter apresentado nenhum efeito adverso. 70,1% eram sedentários; aproximadamente 43,26% consumiam bebida alcoólica e 19,2% eram tabagistas. Como motivo para a utilização do AINE, “tratamento de tensões musculares/ dores nas costas” consistiu em 47,1%. O consumo de diclofenaco de sódio foi de 23,1%, ibuprofeno 20,2%, nimesulida 18,2% e piroxican 9,6%. Discussão: O estudo apontou que as mulheres e a população idosa são os grupos de maior consumo de AINEs, corroborando com outros dados encontrados na literatura. Observou-se também que é alto o consumo de AINEs sem prescrição médica, o que configura uma elevada prática de automedicação pela população estudada, sendo a falta de tempo de ir ao médico como a principal justificativa apontada pelos participantes. Identificou-se ainda que, fatores como o consumo de bebida alcoólica e tabagismo, são prevalentes em indivíduos consumidores de AINEs. Destaca-se como fator mais prevalente nesses indivíduos, a baixa e/ou ausência de atividade física, o que pode ser relacionado com o motivo mais citado para o consumo, que foi “tratamento de tensões musculares e dores nas costas”, pois já foi comprovado que o exercício físico tem resultados benéficos na prevenção e reabilitação da dor lombar. O diclofenaco foi o anti-inflamatório mais consumido. Conclusões: É perceptível que o consumo inadequado de AINEs se configura em um grande risco à saúde da população, sendo necessária a elaboração de medidas que busquem reduzir esse problema.