Interface: Comunicação, Saúde, Educação (Mar 2010)
Higienizando a raça pelas mãos da educação ruralista: o caso do Grupo Escolar Rural do Butantan em 1930
Abstract
Este artigo apresenta a experiência do Grupo Escolar Rural do Butantan, na cidade de São Paulo, nos anos 1930. Considerada uma das únicas escolas no país cujo projeto pedagógico se respaldava essencialmente em temas rurais, a empreitada se deveu, sobretudo, ao esforço de Noêmia Mattos Cruz, defensora do desenvolvimento de uma ideologia ruralista, partindo do plano educacional de base higienista, num momento em que o republicanismo trouxe inúmeras contendas sobre as finalidades do ensino e a "missão" dos professores. Aprofundado na década de 1930, quando a infância era o centro dos cuidados governamentais, o Grupo Escolar ganhou fôlego e a atenção das autoridades federais ao atrelar assuntos do campo à educação sanitária, para produzir cidadãos brasileiros "eugenicamente bem formatados". Para isso, deve-se considerar a historicidade de sua elaboração e prática, que implicaram na adesão de um projeto político de saúde pública e educação voltado para o meio rural.