Filosofia Unisinos (Feb 2013)
Manipular ou habitar? Merleau-Ponty e o paradoxo da ciência
Abstract
A compreensão acerca do projeto fenomenológico que se estende de Husserl até seus herdeiros jamais esteve imune a interpretações díspares e, sobretudo, repletas de equívocos. Um dos esforços de Merleau-Ponty orientou-se sempre pelo afã de explicitar o estatuto daquele programa, especialmente quando se trata de descrever as relações entre a ciência e a filosofia. Merleau-Ponty diagnostica em ambas as disciplinas, uma sintomática crise quanto às suas razões de princípio. Esse resultado crítico tem ensejado, entretanto, certo pretexto de que a fenomenologia negligencia o saber positivo prescindindo, a rigor, de toda “objetividade” e “verificação” ou, ainda, de que estaria, tendenciosamente,“invadindo” o campo de atuação do cientista. É contextualizando tal controvérsia, que buscaremos avaliar o seu mérito, ou seja, medir o seu alcance e os seus limites, explicitando o real sentido da crítica fenomenológica à ciência e o seu desvio ontológico que a teria conduzido a um paradoxo sui generis. Palavras-chave: Merleau-Ponty, fenomenologia, ontologia, ciência, crise, paradoxo.