Duas formas de se ouvir o silêncio: revisitando 4'33"

Kriterion. 2005;46(112):429-441 DOI 10.1590/S0100-512X2005000200023

 

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Journal Title: Kriterion

ISSN: 0100-512X (Print)

Publisher: Universidade Federal de Minas Gerais

LCC Subject Category: Philosophy. Psychology. Religion: Philosophy (General)

Country of publisher: Brazil

Language of fulltext: German, French, Portuguese, English, Spanish; Castilian, Italian

Full-text formats available: PDF, HTML

 

AUTHORS

Fábio Akcelrud Durão

EDITORIAL INFORMATION

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Editorial Board

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Time From Submission to Publication: 28 weeks

 

Abstract | Full Text

Após tecer rápidas considerações sobre arte e nada, o presente texto reinterpreta o 4'33'', de John Cage, no atual contexto de superprodução semiótica. Salienta-se que, ao invés de ser uma abertura para a vida, a peça depende tanto de uma justificativa teórica, quanto de uma disposição formal. Vem desta uma dupla possibilidade, pois o silêncio de 4'33'' pode ser tanto concebido como o objetivo (impossível) a ser alcançado, quanto um meio para se interromper o falatório das coisas. Correspondendo a estas duas possibilidades estão diferentes estruturas de dissociação de meios e fins: a busca concentrada e uma passividade agressiva. Estas duas posturas são relacionadas no texto ao estado atual do capitalismo, caracterizado por uma superprodução mercantil de signos.<br>After briefly dwelling on the relationship between art and nothing(ness), the essay interprets John Cage's so-called silent piece, his much-commented 4'33'', in the context of today's semiotic overproduction. It posits a twofold way of listening to the piece, insofar as silence may be conceived either as the (impossible) aim to be reached by listening, or as a means to interrupt the continuous blabbering of things. Underlying these two possibilities there are different dispositions of means and ends, namely a concentrated search for something and an aggressive passivity. These two postures are related in the text to the current state of capitalism, characterized as it is by a commodified overproduction of signs.