Arquivos Brasileiros de Cardiologia (Jun 2025)
Registro Multicêntrico Brasileiro de Ablação Septal Alcoólica em Pacientes com Miocardiopatia Hipertrófica Obstrutiva Sintomática – Registro BRASA
Abstract
Resumo Fundamento A ablação septal alcoólica (ASA) é uma alternativa à miectomia cirúrgica para pacientes com cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva (CMHO) sintomática e obstrução significativa da via de saída do ventrículo esquerdo (VSVE). Embora amplamente estudada em outros países, ainda há poucos dados sobre os resultados da ASA no Brasil. Objetivo Avaliar a segurança e a eficácia da ASA em pacientes sintomáticos com CMHO, tratados com terapia medicamentosa otimizada, utilizando técnicas atuais em diferentes centros brasileiros. Métodos Foram incluídos pacientes com CMHO e angina (classificação da Canadian Cardiovascular Society [CCS]) ou dispneia (classificação da New York Heart Association [NYHA]) em classe funcional acima de II, sem resposta ao tratamento medicamentoso otimizado. O desfecho primário de eficácia foi definido como a redução superior a 50% no gradiente máximo da VSVE em repouso, com valor final <50 mmHg. Os pacientes foram classificados como responsivos ou não responsivos. Um valor de p<0.05 foi considerado estatisticamente significativo. Resultados Um total de 41 pacientes (idade mediana de 66,4 anos; 73% mulheres) foi submetido à ASA. No início, 93,2% estavam em classe funcional III/IV da NYHA ou CCS. A fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) média era de 66,4%, e o gradiente médio da VSVE era de 88,4 mmHg. Após 12 meses, 92,8% apresentaram melhora para classe funcional I/II da NYHA ou CCS (p<0,01). O gradiente médio da VSVE caiu de 88,4 mmHg para 27,0 mmHg (p=0,003), e a espessura do septo interventricular (SIV) diminuiu de 19,3 mm para 14,7 mm (p=0,048). Pacientes responsivos apresentaram gradientes basais menores (73,4 vs 112,6 mmHg, p=0,04) e menos hospitalizações (21,1% vs 82,4%, p=0,04). Bloqueio atrioventricular completo ocorreu em 16,7% dos casos, e 4,8% necessitaram de marcapasso. Não houve óbitos durante o seguimento mediano de 394 dias. Na última avaliação presencial, 78,4% estavam em classe funcional I/II. Conclusões A ASA é uma opção segura e eficaz para alívio dos sintomas em pacientes selecionados com CMHO. O procedimento reduz o gradiente da VSVE e a espessura septal. Pacientes com gradientes basais mais elevados apresentaram menor taxa de resposta.
Keywords