Jornal de Assistência Farmacêutica e Farmacoeconomia (Feb 2023)
Interações medicamentosas potenciais em idosos internados em um hospital público
Abstract
Introdução: A transição demográfica e epidemiológica no Brasil propiciou tanto o aumento do número de idosos na população, como também maiores taxas de morbidade por doenças crônicas nesta faixa etária, tornando-os mais expostos a hospitalizações e maior utilização de medicamentos, o que consequentemente acarreta em alta suscetibilidade à ocorrência de Interações Medicamentosas Potenciais (IMP). Além disso, o processo natural da senescência predispõe à ocorrência de significativas mudanças fisiológicas que alteram o metabolismo dos idosos, podendo levar a uma modificação na farmacocinética dos fármacos e consequente alteração da resposta farmacológica. Objetivo: analisar a prevalência de Interações Medicamentosas Potenciais em pacientes idosos internados em um hospital público. Métodos:trata-se de um estudo transversal, descritivo e analítico, realizado na clínica médica de um hospital público, através da análise dos prontuários de pacientes com idade ≥60 anos, de ambos os sexos, que estiveram internados por mais de dois dias, no período de novembro de 2018 a janeiro de 2019. Os dados foram coletados com auxílio de uma ficha farmacoterapêutica; as IMPs foram avaliadas nas bases de dados Medscape® e Micromedex® e classificadas quanto a sua gravidade e mecanismo. Resultados: Foram avaliados 42 prontuários de idosos internados no período, com idade média de 77,9 anos (DP±10,6), com tempo médio de internação hospitalar de 15,5 dias, predominando os idosos longevos (42,8%), sendo a maioria do sexo feminino (92,2%). Foram utilizados uma média de 11 medicamentos/dia, evidenciando que todos os idosos deste estudo estavam expostos à polifarmácia. A prevalência das interações foi de 100%, totalizando 426 interações, que corresponde a cerca de 10,1 interação por paciente (mínimo de 2; máximo de 45). As interações mais frequentes ocorreram entre os medicamentos que atuam no Sistema Nervoso, das quais 3,3% foram de gravidade leve (mais frequente: Omeprazol + Diazepam); 37,2% moderada (mais frequente: dipirona + losartana); 58,4% grave (mais frequente: insulina + metoclopramida); e 1,2% contraindicada (haloperidol + metoclopramida). Quanto ao mecanismo houve maior prevalência de interações do tipo farmacodinâmico (70,2%), seguido de mecanismo desconhecido (14,8%), farmacocinético (13,8%) e misto (1,2%). Conclusão: Se evidencia que as IMPs tiveram alta prevalência nesses idosos e sugerem a necessidade de acompanhamento clínico para melhor elucidação e avaliação dos potenciais riscos. Visto que a hospitalização e a polifarmácia são achados comuns em pessoas com idade avançada, é de extrema importância que a farmacoterapia para esses pacientes seja monitorada pela equipe de saúde a fim de eleger estratégias que minimizem não somente os problemas com uso de medicamentos, mas também os custos associados à problemas com a farmacoterapia para a própria unidade hospitalar e, sobretudo, para o paciente.