Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (Feb 2017)

Adesão à terapia antirretroviral em pacientes infetados pelo VIH nos cuidados de saúde primários em Nampula, Moçambique

  • Paulo Das Neves Pires,
  • Abdoulaye Marega,
  • José Miguel Creagh

DOI
https://doi.org/10.32385/rpmgf.v33i1.12021
Journal volume & issue
Vol. 33, no. 1

Abstract

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Objetivos: Avaliar a taxa de adesão à terapia antirretroviral na província de Nampula e os fatores associados ao abandono do tratamento. Tipo de estudo: Descritivo transversal misto. Local: Centros de saúde de cinco distritos da província de Nampula, Moçambique, 2014. População: Pacientes infetados pelo vírus da imunodeficiência humana em terapia antirretroviral e pacientes que abandonaram, profissionais dos cuidados de saúde primários. Métodos: Inquérito a pacientes em terapia antirretroviral e a pacientes que abandonaram a terapia, consulta documental de processos clínicos, registos da farmácia e relatórios estatísticos do programa Vírus da Imunodeficiência Humana Adquirida, entrevista aos profissionais de saúde. Resultados: A taxa de abandono da terapia atinge os 40%. Foram inquiridos 208 pacientes em tratamento e 86 abandonos, 70% do sexo feminino, entre os 18 e os 62 anos de idade. Como causa principal de abandono 36% referem discriminação, mas 58% não dispõem de alimentos suficientes e 37% apresentam depressão. A boa adesão à terapia antirretroviral (> 95% das tomas de antirretrovirais) nos últimos três meses foi estimada em 69% dos pacientes, mas 36% apresentam um mau resultado de contagem de Linfócitos T CD4 e 63% não cumprem o protocolo recomendado pelo Ministério da Saúde. Conclusões: O principal motivo alegado para o abandono da terapia antirretroviral é o estigma ligado à infeção pelo vírus da imunodeficiência humana adquirida, mas a insegurança alimentar constitui igualmente um fator determinante. Nos pacientes em terapia, a adesão estimada de 69% explica a alta incidência de infeções oportunistas (27%). O abandono da terapia em Nampula é um problema grave e complexo, resultante de fatores individuais, sociais e do funcionamento dos cuidados de saúde primários. Será necessário desenvolver uma ação interdisciplinar junto de pacientes, famílias e profissionais de saúde para inverter a situação e melhorar a adesão terapêutica.

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