Hematology, Transfusion and Cell Therapy (Oct 2021)

O USO DE CICLOFOSFAMIDA 50 MG/KG EM REGIMES DE CONDICIONAMENTO DE TOXICIDADE REDUZIDA PROPORCIONAM ENXERTIA DE TODAS AS CRIANÇAS PORTADORAS DE APLASIA GRAVE DE MEDULA ÓSSEA SUBMETIDAS A TRANSPLANTES ALOGÊNICOS DE DOADOR NÃO APARENTADO E HAPLOIDÊNTICO

  • MGAD Matos,
  • LDS Domingues,
  • RV Gouveia,
  • VC Ginani,
  • G Zamperlini,
  • CMCZ Oliveira,
  • MV Pupim,
  • PA Soriano,
  • CN Monteiro,
  • JF Marques,
  • FVBD Santos,
  • CF Andrade,
  • A Seber

Journal volume & issue
Vol. 43
p. S39

Abstract

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Introdução: O transplante alogênico de células-tronco hematopoiéticas com doador aparentado HLA-idêntico é o tratamento de escolha para aplasia de medula óssea grave em crianças e adolescentes. A terapia imunossupressora ainda é utilizada na ausência de doador idêntico, entretanto, a chance de resposta com ATG de coelho em nosso meio é de apenas 17% em três meses (Clé, 2018), aumentando a mortalidade associada a infecções, risco de recaída da doença e mielodisplasia secundária. Na ausência de doador idêntico, o transplante com doadores alternativos não aparentados e haploidênticos vem aumentando. Os grandes obstáculos para o seu sucesso são o risco elevado de falha de pega, doença do enxerto contra o hospedeiro e mortalidade relacionada ao transplante. Nossa equipe optou por aumentar a dose de ciclofosfamida do condicionamento para 50 mg/kg com o intuito de diminuir a chance de rejeição, mas é fundamental a avaliação da efetividade desta estratégia. O objetivo deste trabalho foi avaliar os resultados e a segurança dos transplantes em crianças e adolescentes com aplasia grave de medula óssea. Método: Estudo descritivo e retrospectivo dos dados de prontuários dos pacientes transplantados com aplasia grave de medula óssea. Todos receberam regime de condicionamento de toxicidade reduzida: doadores irmãos HLA-idêntico, ciclofosfamida 200 mg/kg e timoglobulina; doadores não aparentados e haploidênticos, fludarabina, ciclofosfamida, timoglobulina e irradiação corporal total 200cGy. Aumentamos a dose da ciclosfosfamida do condicionamento de 14,5 mg/kg/dia x 2 dias para 25 mg/kg/dia x 2 dias desde 2018 devido ao relato de falha de pega primária e secundária que observadas em outros serviços brasileiros. Para profilaxia de DECH utilizamos inibidor de calcineurina e metotrexate para os aparentados e não aparentados e inibidor de calcineurina, micofenolato mofetil e ciclosfosfamida pós transplante para os haploidênticos. Resultados: Entre março de 2013 a março de 2021 nossa equipe transplantou 17 pacientes com aplasia grave de medula, 8 com doadores haploidênticos, 6 doadores não aparentados e 3 irmãos idênticos. Onze crianças foram transplantadas com ciclofosfamida 50 mg/kg no condicionamento, 6 com doadores haploidênticos e 4 não aparentados. A fonte de células foi medula óssea com exceção de uma paciente. Não houve nenhuma rejeição primária ou secundária e nenhuma morte relacionada ao transplante. Não houve diferença na morbidade do transplante com o aumento da dose de ciclofosfamida do condicionamento. Com mediana de 86 meses de seguimento, todos os pacientes estão vivos, com quimerismo completo, independente de transfusões e sem DECH grave (III-IV). Conclusão: O transplante alogênico é uma opção segura de tratamento curativo para aplasia de medula grave, com baixa ocorrência de complicações durante e após o transplante. O aumento da dose de ciclofosfamida não modificou a morbimortalidade ao transplante e pode ser considerada para diminuir o risco de falha de pega.